ABAS

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Fundo do poço: Israel foi parceiro até do apartheid



Por Celso Lungaretti

Em meio a temas palpitantes como o do acordo Brasil/Turquia/Irã que os EUA estimularam e agora torpedeiam, está passando quase despercebida a relevante informação de que Israel não só possui bombas atômicas aos montes, sem qualquer controle por parte de organismos internacionais, como andou tentando vender algumas ao regime segregacionista da África do Sul, em 1975.

E, no fundo, os dois assuntos se completam: que direito tem os EUA de exigirem que o Irã se submeta a uma daquelas revistas policiais em que até os orifícios do corpo são verificados, enquanto um país useiro e vezeiro em barbarizar vizinhos não só dispõe de armamentos que ameaçam a humanidade, como aceita negociá-los com qualquer um?

Ao contrário dos jovens que identificam os judeus com as características odiosas que seu estado incorporou, eu conheço bem os belos sonhos de outrora, dos kibutzim ao Bund.

O primeiro era uma experiência na linha do chamado socialismo utópico: o cultivo da terra em bases igualitárias, sem patrão, sem privilégios, sem desigualdade.

Tive jovens amigos de ascendência judaica que falavam maravilhas dos kibutzim, mas, pacifistas, relutavam em ir para um país onde poderiam ser convocados a qualquer instante para batalhas.

O socialismo revolucionário, por sua vez, era representado pelo Bund, a União Geral dos Trabalhadores Judeus na Lituânia, Polônia e Rússia, que estava entre as forças fundadoras do Partido Social-Democrata, tendo participado ativamente das revoluções russas de 1905 e 1917.


O MÉDICO SE TORNOU MONSTRO


Na segunda metade do século passado, entretanto, Israel viveu sua transição de Dr. Jeckill para Mr. Hide. Virou ponta-de-lança do imperialismo no Oriente Médio, responsável por genocídios e atrocidades que lhe valeram dezenas de condenações inócuas da ONU.

Até chegar ao que é hoje: um estado militarizado, mero bunker, a desempenhar o melancólico papel de vanguarda do retrocesso e do obscurantismo.


Ter, ademais, oferecido-se para dotar o apartheid de artefatos atômicos supera a pior imagem que já tínhamos de Israel.

É a pá de cal, a comprovação gritante de que o humanismo não tem mais espaço nenhum no estado judeu. O povo que nos deu Marx, Freud e Einstein hoje produz mas é novos Átilas, Gengis Khans e Pinochets.

Quanto à notícia publicada há poucos dias pelo Guardian londrino e que tantos preferem ignorar, é a seguinte: documentos secretos da África do Sul obtidos pelo acadêmico estadunidense Sasha Palakow-Suransky, além de exporem essa parceria política nauseabunda, constituem prova documental insofismável do programa nuclear israelense, que se sabia existir mas o estado judeu insistia em negar.


O Guardian divulgou inclusive um memorando do então chefe das Forças Armadas da África do Sul, general R. Armstrong, escrito no dia de um encontro entre os respectivos ministros da Defesa, Shimon Peres e Pieter Botha. Nele, o militar diz, de forma cifrada mas nem tanto, que, “considerando os méritos do sistema de armas oferecido [por Israel], algumas interpretações podem ser feitas, como a de que os mísseis serão armados com ogivas nucleares produzidas na África do Sul [grifo meu] ou em outro lugar”.



O NOME DOS MÍSSEIS É “JERICÓ”


Em entrevista publicada nesta 6ª feira (28) pela Folha de São Paulo, o acadêmico Palakow-Suransky rebate a alegação de Shimon Peres, de que sua assinatura não consta das minutas das reuniões:


“…mas ela aparece no documento que garante sigilo para a negociação sobre a venda de mísseis Jericó. Os documentos mostram acima de qualquer dúvida que o tema foi discutido em uma série de encontros em 1975. As frases usadas para descrever as ogivas são vagas, o que é comum nesse tipo de negociação. A confirmação de que o governo sul-africano viu a discussão como uma oferta nuclear explícita está num memorando do chefe do Estado-Maior, R. F. Armstrong, que detalha as vantagens do sistema de mísseis Jericó para a África do Sul, mas só se os mísseis tivessem ogivas nucleares. É a primeira vez que aparece um documento com a discussão sobre mísseis nucleares em termos concretos. O acordo nunca foi fechado, mas a discussão ocorreu, e o alto escalão sul-africano entendeu a proposta israelense como oferta nuclear”.

O schoolar acrescentou que há outras evidências de colaboração de Israel com o apartheid:


“As principais são a continuação do projeto dos mísseis Jericó na África do Sul nos anos 80, quando especialistas israelenses ajudaram a construir projéteis de segunda geração para carregar ogivas nucleares; e a venda de ‘yellow cake’ [concentrado de urânio] da África do Sul para Israel em 1961″.

E avalia que suas revelações não são a principal evidência disponível de que Israel possui arsenal atômico:


“As fotos de Mordechai Vanunu [técnico nuclear israelense condenado por traição] em 1986 são muito mais definitivas. O significado dos documentos não é provar que Israel tem armas nucleares, o que o mundo todo sabe há décadas. A notícia aqui é que a possível transferência de tecnologia nuclear foi debatida no alto escalão”.

E, acrescento eu, a notícia é que Israel se dispôs a transferir tecnologia nuclear para um dos regimes mais execráveis e execrado do planeta. Dize-me com quem andas…

Também me chocou constatar que a aprazível “cidade das palmeiras” do Velho Testamento, onde os judeus recompuseram suas forças depois da escravidão, agora serve para nomear as armas do Juízo Final.

É um simbolismo bem apropriado para sua travessia negativa, que parece não ter fim, no sentido da desumanidade.


Fonte: www.conciencia.net

ISRAEL ATACA FROTA HUMANITÁRIA E MATA 16 PESSOAS




Israel atacou hoje um grupo de seis navios que transportava mais de 750 pessoas com ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, causando 16 mortos e 30 feridos. O ataque ocorreu em águas internacionais, a 128 quilômetros da Faixa de Gaza, próximo ao Chipre, no Mar Mediterrâneo.



A imprensa turca mostrou imagens captadas dentro do navio turco Mavi Marmara, nas quais se viam os soldados israelenses abrindo fogo. Em Istambul, várias centenas de pessoas tentaram atacar o consulado israelense.


A frota levava 10 mil toneladas de ajuda humanitária e, segundo Israel, não acatou o bloqueio imposto. Um dos barcos atingidos é grego, outro é turco. O líder do Hamas, Ismail Haniyeh classificou como "brutal" o ataque.

Fonte: Agencia o Estado.

"Se, para entrar no Conselho de Segurança, é preciso ser subserviente, é preferivel não entrar"


Por Herivelto Quaresma em 28/05/2010


Um Fórum global muito interessante – a Aliança de Civilizações (www.rioforum.org) – acontece no Rio de Janeiro. Não seria justo, em um texto, dar conta de todos os debates, mas gostaria de destacar alguns tópicos.

Fundamental falar da presença, sempre marcante, dos papagaios norte-americanos. O papagaio, como vocês sabem, é uma das muitas aves pertencentes à ordem dos Psitaciformes, família Psittacidae; vivem cerca de 100 anos e tem apenas 3 filhotes durante sua vida. Alguns papagaios são capazes de imitar sons e, inclusive, a fala humana.
Existe toda uma variedade de papagaios. O papagaio-galego, o papagaio-de-peito-roxo, o papagaio-de-cara-roxa, o papagaio-com-aquilo-roxo e o papagaio-verdadeiro – coitado, este último em franca extinção no jornalismo.

O papagaio norte-americano, como vocês podem imaginar, é aquele que cresceu em um ambiente americanizado e repete, portanto, tudo o que vem do Norte. E eis que, durante uma coletiva de imprensa com ministros de Relações Externas de Brasil, Turquia, Espanha e Catar, surge um espécime tal qual a descrita no início deste artigo, fazendo uma “pergunta” ao ministro Celso Amorim sobre as relações entre os Estados Unidos e o país de Amorim, o Brasil.

A jornalista – que trabalha para o único jornal norte-americano sediado no Rio de Janeiro, The Globe – ouviu, antes de pedir a palavra, as mesmas perguntas de sempre da imprensa. Irã é uma ameaça, Brasil deseja entrar no Conselho de Segurança, relações bilaterais com EUA, o que vocês acham disso? Por que não concordam com os EUA??

Imagine o ministro Amorim tendo que responder, repetidamente, em cada lugar que vai, por anos e anos a fio, as mesmas perguntas de sempre – não propriamente sobre os mesmos temas, mas com o mesmo pano de fundo.

Pois eis que, não satisfeita, a jornalista do The Globe decide falar pela Secretaria de Estado do EUA, a Senhora Hillary Clinton. Como se fosse a própria, ela questiona Amorim sobre o que acha do que ela disse há um ou dois dias.

Deixe-me dizer uma coisa sobre os jornalistas brasileiros. Vou ser direto. São despreparados. Trabalham em muitos lugares ao mesmo tempo, ou com muitas tarefas em um único lugar. Não tem tempo de ler. Não tem interesse em questionar o aquário – no jornalismo, uma referência ao chefe de redação, que fica numa sala que lembra um aquário. E são, muitos e não todos, papagaios norte-americanos.

Permita-me a palavra. Em 2003, quando os Estados Unidos de George W. Bush decidiram ir à “guerra” (invasão, massacre ou genocídio seria mais adequado) contra tudo e contra todos, a chancelaria deste país resolveu defender a tese da guerra preventiva junto ao Conselho de Segurança da ONU, e apenas dois países apoiaram a ação militar. O mundo se uniu contra a guerra. Foram passeatas, manifestações, a maior declaração de “Não” à guerra de toda a História, antes de uma guerra começar. Parte da imprensa decidiu chamar este apoio à invasão do Iraque de “apoio da comunidade internacional”. E eis que, com este apoio – meio capenga, é verdade – os EUA foram à guerra. Desde então, este foi considerado o maior erro deste país em décadas, com o consequente flagelo permanente deste país e tragédias atrás de tragédias humanitárias. Sem falar no aumento do terrorismo global.

Eis que, então, surge um novo posicionamento na esfera global. Muitos países começam a construir uma visão alternativa. “Temos que eliminar todas as armas nucleares do mundo”, afirma o primeiro-ministro turco. Podemos concretizar, por meio do diálogo, mudanças significativas para abarcar toda a nossa diversidade cultural, afirmou o Secretário-Geral da ONU. O diálogo, e não a guerra, deve ser a primeira e última opção, e estamos mostrando que é possível, respondem as máximas autoridades presentes. Isso não diz respeito a esta ação específica em relação ao Irã. É uma linha de ação.

O que impressiona, ainda, é a ignorância dos jornalistas. Que estejam mal informados, ok (a coletiva serve também para informar). Que estejam atuando de modo ideológico, tudo bem (faz parte da democracia). Mas que sejam ignorantes, não é aceitável. São jornalistas. Se estão despreparados, que fiquem calados e anotem as observações dos colegas de profissão. É uma questão de humildade.

Citam o Acordo entre Irã, Brasil e Turquia como se fosse um jogo de palavras entre autoridades iranianas e norte-americanas. Não o é. Existe um acordo. Leiam-no, por Deus!

O Acordo não fala, em momento algum, que o Irã está proibido de enriquecer urânio de modo que se configure, diante da ONU, uma ameaça. Este é um direito de toda e qualquer Nação no mundo. O que a ONU pede é transparência. Da transparência, surge a “construção da confiança” (trust building).

Os Estados Unidos, que declararam no início do encontro de um mês na ONU sobre o tema possuírem mais de 5 mil ogivas nucleares, também tem este direito. À época, o Secretário-Geral da ONU declarou que esta é uma “imagem assustadora”, durante um evento em memória das vítimas – ainda hoje – da bomba atômica no Japão. Ban afirmou, no entanto, que a revelação é um sinal de sua transparência, que por sua vez constrói confiança no país. Ninguém questionou isso. Nenhum editorial para se perguntar se isso não “atrapalharia as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos”, já que o Brasil é uma Nação pacífica e que faz, inclusive, diversas mediações de paz em todo o mundo.

Mas isso a jornalista do The Globe e grande parte da “grande” mídia não levam em consideração – ainda bem que contando, sempre, com as honrosas exceções, pois do contrário estaríamos mais próximos a uma ditadura. E não levam em consideração porque os papagaios norte-americanos não pensam por si próprio, apenas repetem o que outras pessoas dizem, em volta, de acordo com o meio ambiente.

“E quanto às sanções no Conselho de Segurança, ministro Amorim?”, repetem, repetem, repetem. Os Estados Unidos, mordidos pelo fato de o plano turco-brasileiro ter dado certo, aceleraram as “discussões” neste Conselho e decidiram investir pesado no conflito – o contrário do que Brasil e Turquia fazem, que é o diálogo, o entendimento mútuo, a saída negociada. Quanto a isso, Amorim na coletiva de hoje (28/5) na Aliança de Civilizações: “Eles têm o poder quanto às sanções no Conselho de Segurança, podem fazer o que quiserem. Nós temos apenas o poder moral. Eles podem vetar o que quiserem, mas não podem impor a nós violentar a nossa consciência”.

Outra pergunta que os jornalistas costumam fazer, há pelo menos 10 anos – imaginem o tamanho da paciência requerida – é em relação à pretensão do Brasil de ser um membro permanente do Conselho de Segurança. Estas últimas ações, perguntam em uníssono, não “atrapalharia” tais pretensões?

Celso Amorim, nosso ministro: “Se, para entrar no Conselho de Segurança, é preciso ser subserviente, é preferível não entrar”.

Hillary Clinton que se conforme com sua política belicista e imperialista. Esse ministro é do Brasil e, felizmente, não é do mesmo espécime que nossos jornalistas.

Fonte: www.conciencia.net

O movimento da libertação interior, a revolução interior

Por Rolando Lazarte em 31/05/2010
Algumas vezes, tenho pensado que poderia ser interessante escrever alguma coisa sobre o movimento da libertação interior, ou sobre a revolução interior, que não são a mesma coisa, mas se parecem, estão inter-relacionados estreita e profundamente. Em ambos os casos, se trata de um movimento que a pessoa empreende em direção a si mesma. Um caminho que ela decide empreender para saber quem ela é. Devo dizer –abrindo aqui um parênteses– que estas digressões não tem outro objetivo do que o clarear a minha própria trajetória de vida e, em algum sentido, o vasto esforço da humanidade como tal, desde as profundezas das origens da caminhada humana em busca de si mesma.

Aqui não há doutrinas nem organizações, tampouco fronteiras ideológicas ou qualquer outro tipo de afã privatizante ou exclusivista. Podemos dizer, como forma de começar esta conversa, (porque é disto que se trata, de uma conversa e não de um discurso, não há pretensão de exibir conhecimento ou convencer) que entendemos como movimento de libertação interior ou revolução interior –ainda tratando ambos em conjunto, quase como sinônimos, que não são—tudo que a alma faz para se ver livre do que a trava, do que a aliena, do que a confunde e engana.

Neste sentido, podemos dizer que a terapia comunitária é um movimento de libertação interior, que o pensamento de Karl Marx é ou propicia movimentos de libertação interior, o pensamento de Paulo Freire, as idéias e a prática de Jesus, etc. Tudo que traga a pessoa de volta para ela mesma, tudo que dissolva as ilusões ou mentiras, os enganos ou preconceitos, é um movimento de libertação interior.

A meditação, a oração, a arte, o estudo das religiões e a sua prática, a partilha, a expansão da consciência a través do trabalho individual e coletivo, das ações solidárias ou solitárias, são também expressões ou formas de realização da libertação interior. Deve estar claro, neste ponto, que não há –como dissemos— receitas ou dogmas.

Da revolução interior podemos dizer que seja o processo de retorno da alma a si mesma, produzido por uma relembrança ou reintegro dela à matriz divina essencial que subjaz a toda manifestação, a tudo que existe. Talvez possamos dizer que esta revolução, que resulta da libertação interior, é o fim do caminho humano, é a conclusão da caminhada.

Alguns, como São Francisco de Assis ou Gandhi e o próprio Jesus, se tornaram exemplos desta possibilidade que está aberta a toda pessoa humana pelo mero fato dela existir. Os Beatles, John Lennon e George Harrison em particular, mas o conjunto como um todo, funcionaram –e funcionam ainda– como promotores da libertação interior e coletiva pelo amor expansivo, o amor sem fronteiras, a fraternidade universal, a comunhão com tudo que existe.

Não há conclusões para este início de conversa, apenas a expectativa de que possamos nos lembrar, que possamos nos lembrar de nós mesmos.

Fonte:www.conciencia.net

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Lutar Sempre...




Fonte: Mst

Já Dizia Bertolt Brecht ...


O Analfabeto Político

Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Fonte:www.consciencia.net

Frases de William Shakespeare





“Lamentar uma dor passada, no presente, / é criar outra dor e sofrer novamente.”



“A minha consciência tem milhares de vozes, / E cada voz traz-me milhares de histórias, / E de cada história sou o vilão condenado.”


“Chorar sobre as desgraças passadas é a maneira mais segura de atrair outras.”


“Todas as graças da mente e do coração se escapam quando o propósito não é firme.”


“Pelas roupas rasgadas mostram-se os vícios menores: / as vestes de cerimónia e as peles escondem todos eles.”


“O rosto enganador deve ocultar o que o falso coração sabe.”


“As ideias das pessoas são pedaços da sua felicidade.”


“O que não dá prazer não dá proveito. Em resumo, senhor, estude apenas o que lhe agradar.”


“Fragilidade, o teu nome é mulher!”


“Sábio é o pai que conhece o seu próprio filho.”


Fonte: Pensador.info

Capistrano, Minha Terra


O inesquecivel Pancho Villa








Pancho Villa (1879-1923)



Em retaliação ao ataque que o revolucionário mexicano Pancho Villa fizera em março de 1916 à pequena cidade americana de Columbus, situada nos limites dos Estados Unidos com o México, o presidente Woodrow Wilson ordenou que o general John Pershing, comandante da fronteira, fizesse uma expedição punitiva para responder à audácia do aventureiro mexicano. Desta forma, Pancho Villa tornou-se o primeiro inimigo dos Estados Unidos a ser caçado implacavelmente no exterior. Tratou-se da maior operação militar que os americanos fizeram desde o fim da guerra contra Espanha em 1898.


Os turnos revolucionários



Soldado mexicano e uma vivandeira



Desde 1910, o México, vizinho dos Estados Unidos, estava em convulsão revolucionária. No final daquele ano, Francisco Madero recrutara as mais diversas forças de oposição à ditadura de Don Porfírio Dias, um regime que se prolongava por décadas e estava em agonia, para pôr um fim à autocracia. Entre os arrebanhados estava Pancho Villa, homem famoso na região de Dourado e Chihuahua pelo seu passado pouco recomendado de ladrão de gado e assaltante de bancos, mas figura muito popular entre os humildes locais. Neste primeiro turno da Revolução Mexicana, que no total estendeu-se por sete anos, encerrado-se por exaustão de todos em 1917, Dias foi deposto e Madero empossado como o novo presidente do México. Logo a seguir, em fevereiro de 1913, foi a vez de Madero ser assassinado a mando do general Huerta, um ex-porfirista que era chefe do exército, ensejando a abertura de um segundo turno revolucionário. Venustiano Carranza, um dos governadores de província, dizendo-se chefe constitucionalista, juntamente com Álvaro Obregon e Pancho Villa pegaram em armas contra o general Huerta, que, isolado, exilou-se do país em 1915. Então deu-se o desentendimento entre os três vitoriosos, Carranza, Obregon e Villa, e um terceiro turno revolucionário se iniciou

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Artigo de Frei Beto


Somos todos pós-modernos?



Frei Betto *

A resposta é sim se comungamos essa angústia, essa frustração frente aos sonhos idílicos da modernidade. Quem diria que a revolução russa terminaria em gulags, a chinesa em capitalismo de Estado; e tantos partidos de esquerda assumiriam o poder como o violinista que pega o instrumento com a esquerda e toca com a direita?
Nenhum sistema filosófico resiste, hoje, à mercantilização da sociedade: a arte virou moda; a moda, improviso; o improviso, esperteza. As transgressões já não são exceções, e sim regras. O avanço da tecnologia, da informatização, da robótica, a gloogleatização da cultura, a telecelularização das relações humanas, a banalização da violência, são fatores que nos mergulham em atitudes e formas de pensar pessimistas e provocadoras, anárquicas e conservadoras.


Na pós-modernidade, o sistemático cede lugar ao fragmentário, o homogêneo ao plural, a teoria ao experimental. A razão delira, fantasia-se de cínica, baila ao ritmo dos jogos de linguagem. Nesse mar revolto, muitos se apegam às "irracionalidades" do passado, à religiosidade sem teologia, à xenofobia, ao consumismo desenfreado, às emoções sem perspectivas.

Para os pós-modernos a história findou, o lazer se reduz ao hedonismo, a filosofia a um conjunto de perguntas sem respostas. O que importa é a novidade. Já não se percebe a distinção entre urgente e importante, acidental e essencial, valores e oportunidades, efêmero e permanente.

A estética se faz esteticismo; importa o adorno, a moldura, e não a profundidade ou ao conteúdo. Ao pós-moderno é refém da exteriorização e dos estereótipos. Para ele, o agora é mais importante que o depois.

Para o pós-moderno, a razão vira racionalização, já não há pensamento crítico; ele prefere, neste mundo conflitivo, ser espectador e não protagonista, observador e não participante, público e não ator.

O pós-moderno duvida de tudo. É cartesianamente ortodoxo. Por isso não crê em algo ou em alguém. Distancia-se da razão crítica criticando-a. Como a serpente Uroboros, ele morde a própria cauda. E se refugia no individualismo narcísico. Basta-se a si mesmo, indiferente à dimensão social da existência.

O pós-moderno tudo desconstrói. Seus postulados são ambíguos, desprovidos de raízes, invertebrados, sensitivos e apáticos. Ao jornalismo, prefere o shownalismo.

O discurso pós-moderno é labiríntico, descarta paradigmas e grandes narrativas, e em sua bagagem cultural coloca no mesmo patamar Portinari e Felipe Massa; Guimarães Rosa e Paulo Coelho; Chico Buarque e Zeca Pagodinho.

O pós-modernismo não tem memória, abomina o ritual, o litúrgico, o mistério. Como considera toda paixão inútil, nem ri nem chora. Não há amor, há empatias. Sua visão de mundo deriva de cada subjetividade.

A ética da pós-modernidade detesta princípios universais. É a ética de ocasião, oportunidade, conveniência. Camaleônica, adapta-se a cada situação.

A pós-modernidade transforma a realidade em ficção e nos remete à caverna de Platão, onde nossas sombras têm mais importância que o nosso ser, e as nossas imagens que a existência real.

[Autor de "Calendário do Poder" (Rocco), entre outros livros].


* Escritor e assessor de movimentos sociais
Fonte; Adital

"Ficha limpa é exigência inevitável para candidatos", diz Marcos José de Castro Guerra






Kamilo Marinho
Advogado enaltece importância do projeto Ficha LimpaO advogado Marcos José de Castro Guerra integra a Comissão Brasileira de Justiça e Paz — organismo vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), entidade que faz parte do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. Foi esse movimento que liderou a campanha do Projeto Ficha Limpa, que recolheu assinaturas de um milhão e meio de eleitores e está agora em votação na Câmara dos Deputados. Mestre em Direito Internacional e Ambiental, Marcos Guerra, disse acreditar que a ideia, cuja aplicabilidade depende de aprovação dos deputados federais e senadores, seguramente influenciará de maneira decisiva já na eleição deste ano. O advogado, que também é presidente da Comissão de Relações Internacionais da OAB do Rio Grande do Norte, opina que, ao contrário do que enfatizam alguns juristas, a proposta é constitucional.

Fonte: tribunadonorte.com.br

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Condenado a Falar - Jorge Kajuru



Famoso por sua irreverência e por suas declarações polêmicas, o jornalista esportivo Jorge Kajuru acaba de lançar seu mais picante livro: "Condenado a falar – Perguntas polêmicas. Respostas bombásticas".

Com declarações do jornalista sobre diferentes personalidades, do futebol à televisão, o livro expõe abertamente a opinião do Kajuru a respeito das celebridades que gosta, mas principalmente das que não gosta. A edição traz entrevistas e declarações até hoje inéditas, além de trechos curiosos de reportagens que ele fez com celebridades em seus programas na tevê. Muito coerente, o autor deixou a cargo do excelente jornalista Juca Kforui e do Dr. Sócrates Brasileiro, o prefácio da obra.

O tópico mais polêmico fica por conta de uma lista de A a Z. Nela, Kajuru diz, em poucas linhas, o que pensa de alguns famosos, políticos e esportistas. Vale dizer que poucos são poupados das farpas dele.

Trecho de Honoráveis Bandidos, de Palmério Dória


Capítulo 1
Estado de permanente sobressalto

Comemoração com cara de velório • Por que Roseana chora, se os outros aplaudem? • Tem sujeira por trás do impoluto jurista o Rolo justifi ca outro rolo e assim por diante • A qualquer momento nas páginas policiais

Estamos em 2009. Na data em que completa meio século de carreira política, aos 78 anos, o velho coronel comemora sem o menor sinal de euforia. Por certo pesam-lhe na memória as palavras de seu falecido amigo Roberto Campos, tão entreguista que lhe pespegaram o apelido de Bob Fields, ministro do Planejamento de Castelo Branco, primeiro general de plantão do governo militar:

"Certas vitórias parecem o prenúncio de uma grande derrota. É um amanhecer que não canta."

Deputado federal, governador do Maranhão, presidente da República, cinco vezes senador. E, no início desse ano pré-eleitoral, eis que em 2010 se dariam eleições presidenciais, ele chegava pela terceira vez à presidência do Senado. Mas tinha a sensação de que tudo aquilo que havia conquistado em meio século de vida pública podia estar por um segundo. Não foi de bom agouro a cena que se seguiu a seu discurso de pouco mais de cinco minutos, ao apresentar sua candidatura à presidência da Casa, naquela manhã de 2 de fevereiro, dia de festa no mar. Em sua fala, ele citou por sinal Nossa Senhora dos Navegantes, depois de se comparar a Rui Barbosa pela longevidade na vida pública e de proclamar que não houve escândalos em suas outras passagens no cargo. Esperava uma sessão rápida, mas, para sua inquietação, vários pares passaram a revezar-se para defender o outro candidato à presidência do Senado, o petista acreano Tião Viana, e aproveitaram para feri-lo. Assim, quando abriram a inscrição para os candidatos, ele pediu para falar. Queria dar a última palavra.

Marcado pela fama de evitar confrontos em plenário, fugiu a seu estilo e fez um pronunciamento duro. Um improviso daqueles que a gente leva um mês para preparar. Deixou claro que não gostou de ver Tião Viana posar de arauto da modernidade e higienizador da podridão que paira nos ares do parlamento brasileiro.

Depois de lembrar a coincidência de 50 anos antes, quando no dia 2 de fevereiro de 1959 assumia o primeiro mandato no Congresso como deputado federal, atacou:

"Não concordo quando se fala na imoralidade do Senado. O Senado é os que aqui estão. Reconheço que, ao longo da nossa vida, muitos se tornaram menos merecedores da admiração do país, mas não a instituição."

Então, pronunciou as palavras seguintes, que trazem os sinais trocados, pois tudo quanto você vai ler é tudo quanto o velho senador não é:

"Durante a minha vida, passei aqui nesta Casa 50 anos. Muitas comissões, vamos dizer assim, muitos escândalos existiram envolvendo parlamentares, mas nunca o nome do parlamentar José Sarney constou de qualquer desses escândalos ao longo de toda a vida do Senado." Disse mais: "A palavra ética, para mim, que nunca fui de alardear nada, é um estado de espírito. Não é uma palavra para eu usar como demagogia ou uma palavra para eu usar num simples debate."

A filha Roseana Sarney, senadora pelo Maranhão, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro, o mesmo PMDB do pai, caminhava pelo plenário, muito nervosa. Estava em lágrimas quando o pai encerrou sua fala. Os oitenta pares o aplaudiram protocolarmente, mas um deles, de um salto pôs-se de pé e bateu palmas efusivas, acompanhadas do revoar de suas melenas. Tratava-se de Wellington Salgado, do PMDB mineiro, conhecido como Pedro de Lara ou Sansão.

Onde se encontravam os jornalistas de política nesse momento, que não registraram tal despautério? Pedro de Lara é aquela figura histriônica que roubava a cena no programa Silvio Santos como jurado ranzinza, debochado e falso moralista. E Sansão, o personagem bíblico que perdeu o vigor quando Dalila o traiu cortando-lhe a cabeleira.

Esta fi gura caricata pareceria um estranho no ninho em qualquer parlamento do mundo. Nascido no Rio, é dono da Universidade Oliveira Salgado, no município de São Gonçalo, e responde a processo por sonegação de impostos no Supremo Tribunal Federal. Conseguiu um domicílio eleitoral fajuto em Araguari, Minas Gerais, e praticamente comprou um mandato de senador ao financiar de seu próprio bolso, com 500 mil reais, uma parte da milionária campanha para o Senado de Hélio Costa, o eterno repórter do Fantástico da Rede Globo em Nova York.

Com a ida de Hélio para o Ministério das Comunicações de Lula, seu suplente Wellington então ganhou uma cadeira no Senado Federal, presente que ele paga com gratidão tão desmesurada, que separa da verba de seu gabinete todo santo mês os 7 mil reais da secretária particular do ministro. Nesse tipo de malandragem, fez como seu ídolo, colega de Senado Renan Calheiros, que vinha pagando quase 5 mil mensais para a sogra de seu assessor de imprensa ficar em casa sem fazer nada.

Mas o cabeludo senador chegou à ribalta em 2007, justamente como aguerrido integrante da tropa de choque que salvou o mandato de Renan Calheiros, então presidente do Senado e estrela principal do episódio mais indecoroso daquele ano, com amante pelada na capa da Playboy, bois voadores e fazendas-fantasma. O alagoano Renan, com uma filha fora do casamento, que teve com a apresentadora de tevê Mônica Veloso, bancava a moça com mesada paga por Cláudio Gontijo, diretor da construtora Mendes Júnior. Ao tentar explicar-se, Renan enredou-se em notas frias, rebanho superfaturado, rede de emissoras de rádio em nome de laranjas, enquanto Mônica mostrava aos leitores da revista masculina da Editora Abril a borboleta tatuada na nádega.

Durante 120 dias, enxotado pela mídia e pela opinião pública, Renan resistiu no cargo, suportando humilhações como o plenário oposicionista virando-lhe as costas no dia em que tentou presidir uma sessão. Esse era o Renan que, quase dois anos depois, no 2 de fevereiro de 2009 posaria vitorioso como articulador-mor da volta de José Sarney à presidência da Casa.

Quem diria, não? O José Sarney que já foi companheiro de um nacionalista respeitado como Seixas Dória, de um articulador do calibre de José Aparecido de Oliveira, de um jurista do porte de Clóvis Ferro Costa, todos três integrantes do grupo Bossa Nova, espécie de esquerda da União Democrática Nacional, a conservadora UDN, todos três ostentando o galardão de ter sido cassados pelo golpe militar de 1964, e sabe-se lá por quais artes só ele, Sarney, dentre os quatro amigos escapou da cassação, esse mesmo Sarney agora festejado pelo cabeludo sonegador e por uma das mais desmoralizadas figuras do cenário político brasileiro, Renan Calheiros, que tinha nos costados um inquérito com 29 volumes tramitando no Supremo.

Quer fechar o círculo direitinho? Em 2007, depois de absolvido pelo plenário em votação secreta e escapar da cassação por quebra de decoro parlamentar, na casa de quem Renan Calheiros comemorou a preservação do mandato? Na casa de seu salvador, Sarney, junto com outras figuras, como o deputado federal e ex-presidente do Senado Jader Barbalho, com know-how em renúncia para escapar de cassação; Romero Jucá, líder do PMDB no Senado; Edison Lobão, futuro ministro das Minas e Energia; e, claro, Roseana Sarney. Nesse festejo, no Lago Sul de Brasília, não se esqueceram de "homenagear" o senador amazonense Jefferson Peres. Esta fi gura íntegra do parlamento brasileiro, relator do caso Renan no Conselho de Ética, recomendou a cassação, pedida pelo povo brasileiro. Os convivas mimoseavam Jefferson a todo momento, referindo- se a ele como "aquele pobre relator".

Memorável dia 2 de fevereiro. Surpreendentes seriam as fotografias nos jornais do dia seguinte. Sarney de óculos escuros como os ditadores latino-americanos do passado, amparado pelo colega de PMDB Michel Temer, eleito presidente da Câmara, igualmente pela terceira vez. Barba e bigode. Este Michel Temer merece umas pinceladas.

Publicado pela Revista Veja

Dica de Leitura


O LIVRO
Publicada no ano 2000 nos Estados Unidos e na Europa, e agora lançada no Brasil, a obra continua desencadeando polêmica em todo mundo. Escrita por um professor judeu americano da Universidade de Nova York, filho de judeus egressos do Gueto de Varsóvia e sobreviventes do campo de concentração de Maidanek e Auschwitz, o livro é uma denuncia da exploração política, ideológica e financeira do Holocausto pelas grandes organizações judaicas internacionais.
Para Norman G. Finkelstein, "...as atrocidades nazistas transformaram-se num mito americano que serve aos interesses da elite judaica, sendo que nesse sentido, o holocausto transformou-se em Holocausto (com h maiúsculo), ou seja, numa indústria que exibe como vítimas o grupo étnico mais bem sucedido dos Estados Unidos e apresenta como indefeso um país como Israel, uma das maiores potências militares do mundo, que oprime os não judeus em seu território e em áreas de influência". Nesse seu último livro, Norman Finkelstein mostra que o extermínio de judeus durante a Segunda Guerra foi transformado em "uma representação ideológica que defende interesses de classe e sustenta políticas".
Em A Indústria do Holocausto, Finkelstein, de 47 anos, ainda recorda sua infância, durante a qual não se discutia o holocausto, para mostrar que o interesse pelo assunto coincidiu com a guerra dos Seis Dias, quando os Estados Unidos perceberam que seria interessante ter um parceiro forte no Oriente Médio. E, para os grupos judaicos americanos e a direita então no poder em Israel, a melhor forma de angariar simpatia era vender a idéia de que a hostilidade árabe poderia levar a uma reedição da solução final.
O número de sobreviventes nos campos de concentração é exagerado segundo o autor, para chantagear bancos suíços, indústrias alemãs e países do Leste Europeu em busca de indenizações financeiras. A luta feroz por indenizações teria como efeito colateral insuflar o anti-semitismo na Europa. Israelenses e judeus americanos são hoje a grande força de opressão, perseguindo palestinos e negros americanos.
Finkeltein não nega e existência do holocausto como fato histórico, denunciando porém o Holocausto, como uma submissão dos fatos a uma interpretação interessada, no caso a política de autoconservação do Estado de Israel apoiada pelos Estados Unidos.
Segundo palavras do professor francês Jacques Rancière a intenção do autor é mostrar que "...o Holocausto se transforma assim, numa cobertura para Israel perpetuar a espoliação dos palestinos, enquanto os Estados Unidos podem esquecer os massacres e as injustiças que marcaram sua história."

O AUTOR
Norman G. Finkelstein nasceu no Broklyn, Nova York, em 1953. Autor da tese de doutorado "The Theory of Zionism", defendida no Departamento de Política da Universidade de Princeton, atualmente é professor da Universidade de Nova York, onde leciona Teoria Política.
Colaborador do London Review Books, entre suas obras estão: Image and Reality of the Israel-Palestine Conflict, The Rise and Fall of Palestine e A Nation on Trial The Goldhagen Thesis and Historical Truth, indicado como livro do ano pelo New York Times Book Review.

TÍTULO DO LIVRO: A INDÚSTRIA DO HOLOCAUSTO
AUTOR: NORMAN G. FINKELSTEIN
EDITORA: RECORD

Aspectos Jurídicos e Humanitários do Asilo Político



“O objetivo do asilo político é proteger os que divergem da ideologia oficial, que, em represália, põe em perigo a vida ou a liberdade dessas pessoas”. (Dicionário de Ciências Sociais, 2ª EDIÇÃO, Editora da Fundação Getúlio Vargas, RJ – 1987).
Resolvi abrir as minhas reflexões a partir desta definição de asilo político, com a intenção de informar as pessoas simples (não intelectualizadas) a respeito deste conceito. É verdade que as novas gerações vindas dos tempos de ditadura militar, não estão habituadas com tal conceito. O fato do pedido de asilo político de Cesare Battisti desencadeou uma grande repercussão no país e lá fora.
Algo de vergonhoso e desrespeitoso aconteceu quando o ministro do exterior italiano deu uma declaração a TV em que contestou, numa linguagem nada diplomática e educada, nosso ministro da justiça, Tarso Genro. Só esta atitude seria suficiente para o rompimento de relações diplomáticas com o governo italiano. Se fosse o contrario, o povo italiano já estaria nas ruas protestando. A ofensa feita à categoria das bailarinas, além de racista é inaceitável.
Os saudosistas dos anos de chumbo têm a memória curta, pois nos anos 60 o Brasil deu asilo político a um personagem nada democrático, que ficou célebre pelos atentados durante a guerra da Argélia. Trata-se do político francês Georges Bidault. Ele e seu grupo assassinaram mais de 5 mil pessoas no território francês. Tentou 20 vezes tirar a vida do Gal. Charles De Gaule. Temos outros exemplos, mas este é o suficiente.
Quem na história do Brasil, relativamente recente, não cometeu deslizes contra o “status quo” nos momentos graves de crise política? A oposição aproveita-se desse contencioso diplomático para atingir o presidente da república. No caso em questão, oposição e situação devem estar unidas em solidariedade ao perseguido político italiano – Cesare Battisti.
O instituto do asilo político deve ser reservado aos militantes idealistas, principalmente quando renunciaram as práticas violentas o que aconteceu com Cesare Battisti. Ele poderá dar uma grande contribuição na formação cultural do povo brasileiro, principalmente os pequenos e deserdados da cultura a que tinham direito. Espero eu, como todo o povo brasileiro, que o Supremo Tribunal Federal não enterre a tradição brasileira de conceder asilo político aos perseguidos pelos intolerantes e indiferentes que, ocasionalmente, governam a nação. Tudo passa. Antigamente na ocasião da coroação dos papas, queimava-se uma estopa para mostrar que a vaidade é passageira – “ Sic transit gloria mundi”(Assim passa a glória do mundo).

Padre Haroldo Coelho
Sociológo

Guerra Fria de volta ou mera crise do império capitalista.



Após a 2ª guerra mundial, o pacto e a aliança do Leste e do Oeste se desfizeram. Os milhões de seres humanos que pagaram com a vida não pesavam o suficiente para evitar ou afastar novos genocídios.
Não podemos esquecer a enorme quota que vitimou 20 milhões de pessoas da então “União Soviética”. Mas o império Norte-Americano aproveitou do fim do conflito mundial para consolidar o seu domínio econômico e político sobre todas as nações do globo.
Os que alimentavam o sonho de um mundo de paz decepcionaram-se verdadeiramente. Assistiram, decepcionados, o surgimento da guerra da Coréia que foi seguida de outros conflitos. O imperialismo americano e seus aliados realizaram muitas intervenções militares, principalmente nos países de origem árabe. Não poderemos esquecer o genocídio sionista contra os palestinos, apoiado e estimulado pelos EUA. Em plena pós-modernidade, as vitimas do nazismo de ontem tornam-se os autores de um novo holocausto...
A humanidade não aprende as lições da história. As ameaças de intervenção, isto é, de invasão ao pequenino país da Coréia do Norte provam a desmoralização da ONU. Enquanto Israel desobedece escandalosamente à resolução que obriga os judeus a voltarem a ocupar o território antes de 1967, esta mesma organização nada faz com aqueles que, sendo seus protegidos, deixam o dito pelo não dito.
A campanha internacional contra a Coréia do Norte é plena de ódio discriminatório e racista. A poucos meses a França experimentava novos engenhos nucleares no deserto africano. Já não basta o colonialismo selvagem que afetou e afeta a África até os dias de hoje?
Que respeito pode ter uma organização que prima por um comportamento antidemocrático? Cinco países têm direito a veto. Isto significa que a voz de um dos cinco pode pôr por terra qualquer resolução que tenha origem nos demais países.
Fala-se que estaria de volta a guerra fria... O colapso do império capitalista deve-se aos próprios detentores e autores da exploração econômica dos povos. A crise atual colocou à vista as causas da verdadeira crise. E o pior é que os atores desta catástrofe colocam nos ombros dos trabalhadores que apenas trabalharam, portanto não são responsáveis, nem de perto nem de longe. Ao contrário, os artífices da explosão econômica e desumana receberam polpudas ajudas financeiras dos seus governos que exauriram do suor e do sangue dos trabalhadores de todos os países. A vida é assim: Quem sempre paga o pato é a classe explorada.
Para finalizar, temos que nos unir com coragem, com decisão e solidariedade nesta fase difícil da humanidade. Como é triste verificar a linguagem da grande imprensa nos ataques a Coréia do Norte. Como é triste, também, olhar para Obama que tentou dar esperanças para uma nova maneira de se relacionar com as nações.

Qualquer intervenção militar na Coréia do Norte deve ser recebida com repudio e indignação por todos aqueles e aquelas que têm no coração um mínimo de respeito pela dignidade dos povos. E esta corrente de solidariedade deve ser informada e animada sem preconceitos e juízo de valor sobre as nações que pretendemos nos solidarizar.


Haroldo Coelho
Padre e Sociólogo.

terça-feira, 25 de maio de 2010

O fenômeno da internet... Mike do Mosqueiro.

Internacional : EUA divulgam plano de Ataque Global Imediato




No dia 8 de abril, em Praga, capital da República Theca, os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Dmitry Medvedev, assinaram acordo para redução de seus arsenais de armas nucleares. Pelo acordo, cada país limitará o número de ogivas nucleares a 1.550, 30% menos do que previa o acordo anterior. De acordo com o Bulletin of The Atomic Scientists, os EUA têm 5.200 armas nucleares operacionais e a Rússia 4.850. Acontece que o último Tratado Estratégico de Redução de Armas (Start, na sigla em inglês), assinado em 1991, até hoje não foi aprovado nem pelo Senado norte-americano nem pelo Parlamento russo. Consequentemente, nenhum dos países foi obrigado a cumprir o acordo que agora voltam a assinar com pequenas alterações. Pior, desde então, os EUA têm desenvolvido e aumentado o poderio de suas armas nucleares e convencionais.

Na realidade, a reunião em Praga serviu tão somente para que os EUA e a Rússia relembrassem ao mundo que possuem centenas de armas nucleares prontas para serem usadas e com capacidade de destruir nosso planeta várias vezes, se assim desejarem os governantes desses países.
Em 12 de abril, quatro dias após o encontro de Praga, Barack Obama reuniu em Washington, 47 chefes de governo na Cúpula de Segurança Nuclear. Nela, Obama anunciou que os EUA não usarão armas nucleares contra países que não possuírem arma nuclear e assinarem o Protocolo Adicional ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Em bom português, Obama chantageou publicamente os seus convidados a aderirem à nova versão do TNP.
Mas, como disse Che, “no imperialismo não se pode confiar nem um tantinho assim”. O único país que usou armas nucleares no mundo foram os EUA, e contra o Japão, um país que não possuía nenhuma arma nuclear. De fato, em 1945, os EUA jogaram bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki matando imediatamente mais de 220 mil pessoas e mutilando outras centenas de milhares.


Quem espalha o terror

Ao defender o novo Tratado e que a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) envie seus inspetores sem aviso prévio para fazer vistorias sobre qualquer instalação nuclear ou mesmo para investigar pesquisa acadêmica nos países que não possuam armas nucleares, o presidente dos EUA ressuscitou o velho discurso da “guerra ao terrorismo”, o mesmo tantas vezes bradado por seu antecessor, George W. Bush. Assim falou Obama na Cúpula de Segurança Nuclear: “Dezenas de países têm materiais nucleares que podem ser vendidos ou roubados por algum grupo terrorista. Redes terroristas como a Al Qaeda já tentaram adquirir materiais para armamento nuclear. E se um dia eles forem bem sucedidos, eles certamente o usariam.”.

Nenhum dos chefes de governo presentes ousou perguntar a Obama como os EUA chegaram a essa conclusão ou em que fatos se basearam para fazer tão grave assertiva. Mas, digamos que, dessa vez, os EUA estejam falando a verdade e que a premonição de Obama venha se concretizar. Qual deveria ser a medida correta a adotar para anular o risco de um ataque terrorista nuclear?

A resposta é ter o máximo de controle sobre os países que possuem armas nucleares. Com efeito, para se evitar um ataque terrorista ou uma guerra mundial nuclear, o que precisa ser feito é exigir dos países que possuem armas nucelares (EUA, China , Rússia, França, Inglaterra, Paquistão, Índia e Israel) a imediata eliminação dos arsenais nucleares.

Porém, o governo dos EUA age ao contrário: ameaça os países que não têm armas nucleares e com o apoio dos meios de comunicação burgueses tentam convencer o mundo de que o que ele determina é o melhor para a humanidade.

Continuar produzindo armas nucleares cada vez mais modernas e com maior poder de destruição e exigir que as outras nações não possam fazer nem o uso pacífico da energia nuclear – como fazem os EUA com o Irã, muito embora nada exijam de Israel, país que sozinho possui cerca de 300 armas nucleares –, não passa de uma afronta e humilhação às demais nações do planeta. Aliás, segundo o próprio TNP (Tratado de Proliferação Nuclear), os únicos países que não são obrigados a permitir inspeções em suas centrais de produção nuclear são os que possuem armas nucleares.

Amedrontar seu povo e os povos do mundo com o perigo do terrorismo para justificar o próprio terror que dissemina no planeta é há décadas a política oficial dos EUA. Foi exatamente essa política externa que levou os Estados Unidos e demais países imperialistas a bombardearem e invadirem o Iraque em 2003, sob o pretexto de que este país possuía perigosas armas químicas. Passados sete anos, e comprovado que as armas químicas iraquianas foram uma invenção da CIA e da AIEA, os EUA continuaram mantendo mais de 100 mil soldados e milhares de mercenários em território iraquiano. Também alegando combater o terrorismo e a urgência de prender Osana Bin Laden, que estaria escondido numa caverna, os EUA juntamente com os países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) invadiram o Afeganistão em 2001 e lá permanecem. Lembremos ainda que, em 1999, os países imperialistas já tinham bombardeado e declarado guerra à Iugoslávia.

Por que controlar a energia nuclear



Quais são, portanto, os reais motivos para os EUA prometerem uma redução no seu poderoso arsenal nuclear embora propaguem um iminente ataque terrorista nuclear?

Nos últimos anos, os EUA aumentaram enormemente seus gastos militares e o orçamento militar de 2011 será de US$ 708 bilhões, o maior da história. Grande parte desse dinheiro é destinado à modernização das armas nucleares e convencionais do país. Prova disso é que, em 2006, o governo dos EUA anunciou ter rejuvenescido seu arsenal atômico e possuir uma nova geração de armas nucleares. Logo, a questão não é a quantidade de armas que se possui, mas o poder de destruição que cada arma detém.

Depois, em virtude de sua economia capitalista, os EUA vivem uma profunda crise econômica que consumiu nos últimos dois anos cerca de cinco trilhões de dólares do seu Tesouro. Dessa forma, inutilizar armas que estão ultrapassadas e que custam caro mantê-las, além de render a propaganda de país interessado na paz mundial, é uma economia nos gastos com segurança.

Mas não é só.

O mundo vive uma grave crise energética. As principais reservas de petróleo e de gás do planeta, caso o consumo de energia continue crescendo no ritmo atual, estão com seus dias contados. Ora, os países imperialistas são os que mais consomem e desperdiçam energia no mundo, mas são os que têm menores reservas. Vejamos.

Os Estados Unidos consomem 25% do petróleo mundial mas só possuem 2,38% das reservas. No caso do gás natural, os EUA consomem 22,35% do gás produzido no mundo e possui só 3,37% das reservas. Os países do Oriente Médio possuem 41% das reservas de gás e a Rússia 25%.

Até mesmo a água, devido ao aquecimento global, às constantes secas e ao aumento do seu consumo, tem diminuído sua disponibilidade para o uso de energia. A maior parte da água existente no planeta se localiza na Ásia, África e na América do Sul. Nos Estados Unidos e também na Europa, vários rios estão secando e estima-se que nas duas próximas décadas esses países não conseguirão ter água suficiente para manter suas economias. (Declive da Economia de los Estados Unidos, Carlos Augusto Sencion.)

São números e fatos que deixam claro a necessidade de os EUA e demais países imperialistas dominarem os países que possuem grandes reservas de petróleo, de gás e de água para continuarem mantendo o modo de vida burguês. Dito de outro modo, como os países detentores das fontes de energia nunca aceitarão entregar de mão beijada suas riquezas, resta aos países imperialistas usarem da força, isto é, promover guerras, jogar bombas e ameaçar governos para se apoderarem daquilo que não lhes pertence. Enfim, para roubar alguém é preciso antes dominá-lo.

Por isso, controlar a energia nuclear é uma questão estratégica para qualquer povo que queira viver independente e não ser escravo de nenhum outro país, pelo menos enquanto durar o capitalismo. Logo, produzir energia nuclear em um mundo que outras fontes de energia estão se esgotando não é algo sem importância. Eis porque as potências nucleares atuais procuram criar o máximo de obstáculos para os demais países com o novo Protocolo Adicional do TNP. Querem assegurar que apenas um seleto grupo de países, os países imperialistas, sejam os únicos a terem energia e armas nucleares.

Ademais, a energia nuclear é uma energia que não contribui para o efeito estufa; desenvolvê-la e usá-la pacificamente não é só um direito de qualquer povo e nação livre, mas uma necessidade para preservar o meio-ambiente e reduzir a exploração sobre a natureza, tão maltratada nesses quatro séculos de capitalismo. Na realidade, o problema não é nem nunca foi a energia nuclear, mas sim quem a possui e para que finalidade a usa. Os EUA, a Rússia, a China, a França, a Inglaterra e Israel confessam descaradamente que usam a energia nuclear principalmente para construir bombas atômicas.

A hipocrisia das potências imperialistas fica ainda mais clara quando se observa a entrevista do
presidente francês Nicolas Sarkozy à TV CBS no dia 12 de abril, durante a própria Cúpula de Segurança Nuclear: “A França não vai renunciar às armas nucleares. No mundo tão perigoso não se pode abandonar as armas nucleares. Não posso colocar em perigo a segurança do meu país”.

Vejam a hipocrisia: os países imperialistas não querem destruir suas armas nucleares, mas exigem que todas as demais nações não desenvolvam nem para fins pacíficos a energia nuclear.

A verdadeira rede terrorista que ameaça o planeta

Uma semana depois da realização da Cúpula de Segurança Nuclear, mais precisamente no dia 24 de abril, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos divulgou que se encontra em fase final de testes uma nova classe de armas capazes de atingir qualquer lugar do planeta a partir do solo dos EUA em menos de uma hora e com uma precisão e força igual ou maior que uma ogiva nuclear. As novas armas integram o plano Ataque Global Imediato Convencional ou Conventional Prompt Global Strike. Segundo informou o próprio Barack Obama ao jornal New York Times, após lançadas na atmosfera, essas poderosas armas desenvolvem velocidade diversas vezes superior à do som e podem evitar espaço aéreo de qualquer país. Para continuar desenvolvendo o seu plano de Ataque Global Imediato, Obama solicitou mais 239 milhões de dólares ao Congresso norte-americano. Em síntese, os EUA que já possuem total supremacia nas armas nucleares, investem pesado para assegurar sua supremacia nas armas ditas convencionais, mas que têm um poder destruidor igual às nucleares.

Qual o objetivo de um país que tem 42 milhões de pessoas passando fome, grande parte da população sem assistência à saúde, quase 20 milhões de desempregados, tem sua moeda, o dólar, em queda livre e sua economia na UTI investir mais e mais recursos para fabricar novas e poderosas armas, manter 865 bases militares em 42 países, espalhar 300 mil soldados pelo mundo e preparar um Plano de Ataque Global Imediato senão o de promover guerras para controlar as riquezas do mundo e impor seu domínio sobre outras nações?

Na verdade, com um gigantesco arsenal atômico e convencional e com o controle da energia nuclear, podem os EUA e as potências imperialistas alegar qualquer pretexto para declarar guerra a um país e, em seguida, tomar posse do petróleo, do gás e da água desse povo. Aliás, isso já ocorreu várias vezes ao longo da história e continua a acontecer nos nossos dias, como vemos no Iraque, no Afeganistão, na Iugoslávia, nas várias tentativas de golpe na Venezuela, nas pressões contra o Irã e Cuba, etc.

Portanto, a única rede terrorista que ameaça hoje o mundo com um ataque nuclear é a formada pelos países imperialistas e comandada pelos Estados Unidos. São esses países que ameaçam nosso planeta e deveriam ser os primeiros países a sofrer sanções por parte da ONU e não os que sequer possuem uma única arma nuclear. Trata-se de uma rede que age em favor dos interesses dos monopólios capitalistas e que já provou ser capaz de fazer qualquer coisa para se apossar das riquezas dos outros povos e para proteger a minoria de milionários que vive no luxo à custa da exploração dos trabalhadores e dos povos, como ficou demonstrado na recente crise capitalista, quando os governos do chamado G-8 transferiram cerca de 19 trilhões de dólares dos cofres públicos para os bolsos da oligarquia financeira em detrimento de bilhões de pessoas que passam fome e sede no mundo.

Lula Falcão, membro do comitê central do Partido Comunista Revolucionário

(FONTE: JORNAL A VERDADE)